Parque Linear do Guaraú
Por Celso Vilela Paciencia
Introdução
O homem é um animal territorial por natureza e isso o faz proteger o que considera, considerando tudo o que não considera de sua responsabilidade. Quantas vezes não nos deparamos com a seguinte cena: uma dona de casa varre o quintal e a frente de sua calçada mas ao invés de recolher o lixo, simplesmente o varre para a frente do vizinho, ou então varre para a sarjeta e espera que a água se encarregue de levar tudo embora. A mulher protege apenas o território que considera dela, (considera, pois toda a rua (que é um elemento público, também é de sua responsabilidade). Urbanisticamente, essa influencia também se dá com os elementos que marcam e criam o bairro. Os franceses se orgulham da Torre Eiffel, símbolo de seu país, os egípcios de seus desertos, de suas pirâmides, e americanos, desde a imagem de sua bandeira até um dos seus ícones que embora seja um marco, não teve sua concepção no país como é o caso da Estátua da Liberdade que veio da França. Tudo isso se resume numa palavra:
Identificação.
Segundo o dicionário Aurélio, “identificação é o ato de identificar (-se); é reconhecer algo ou alguém como os próprios”, ou seja, ver a imagem dos Estados Unidos na estátua, do Egito nas pirâmides, ou do Brasil na Amazônia. Em menor escala, as pessoas só preservam, só defendem e só permanecem voluntariamente em locais nos quais se identifiquem, se vejam como inseridos no contexto, seja ela, uma casa noturna, um museu ou até mesmo uma simples rua. Não adianta um projeto de magnitude astronômica, utilizando recursos tecnológicos dos mais variados tipos se ele não condiz com a realidade do local onde será inserido. Tal projeto estará fadado a ser no mínimo, ignorado.
O bairro estudado para o projeto apresentado neste trabalho é um laboratório para este assunto. Situado na Zona Norte de São Paulo, o bairro do Jardim Peri, inicialmente repleto de casas térreo e sobrado geminados, tinha a perspectiva de ser tornar um local extremamente agradável para se viver, ao pé da Serra da Cantareira, rodeado de vegetação nativa, cortado por córregos e com a qualidade boa de ar, mas devido diversos problemas , o bairro cresceu de forma desorganizada e as áreas onde se previam belas residências cederam lugar aos assentamentos irregulares, símbolo de degradação que macula o bairro até hoje.
“Quando perguntam meu endereço, falo que moro no Bairro da Pedra Branca. É aqui do lado mesmo e é um bairro melhor”. Neiva Bernardes de Souza, moradora do Jardim Peri
Para uma grande parcela de seus moradores, não existe a tão importante identificação com o local que se torna motivo de vergonha, muitas vezes refletida nas respostas irreais quando indagados sobre os seus respectivos endereços residenciais. Essa falta de ligação compromete o próprio direcionamento do crescimento do bairro, com moradores insatisfeitos, sem compromisso com a preservação das ruas, comércio ambulante ilegal e demais problemas urbanos tão comuns nas metrópoles. Como já foi dito anteriormente, o paradoxo entre grande potencial versus terrível decadência, aflora tanto visualmente quanto tecnicamente, caracterizados pelos baixos níveis sociais, ambientais e urbanos encontrados na região.
Equilibrando tal constatação, foram encontradas comunidades e websites (http://www.jardimpery.com) mostrando um número cada vez maior de pessoas preocupadas em melhorar as condições do local onde vivem, além de um certo orgulho em poder idealizar melhorias e defender o próprio ambiente, resgatando a identidade deteriorada.
O prazer em morar e desfrutar do bairro é dos principais objetivos do trabalho apresentado, que traz a proposta de um parque às margens do Córrego do Guaraú, que tem sua origem na Serra da Cantareira e terá em sua concepção elementos que criem essa ligação entre local e morador, criando um lugar para chamarem de seu, que apontem os antepassados que ajudaram a construir o local.
Em suma, este trabalho tem como o objetivo resgatar ao morador do bairro o orgulho em dizer: “Moro na cidade de São Paulo, no bairro do Jardim Peri”.
4.3 Dados Físicos
As informações a seguir trarão dados físicos do terreno e entorno como: topografia, clima, intempéries e demais informações geográficas como também suas interferências no âmbito urbano e ambiental que influenciará a escolha de materiais, espécies vegetais e demais propostas para o parque. Fonte: http://www.jardimperi.com.
Fig.42-Imagem da Fazenda Seminário
Favela da Sucupira-
, que cobre grande parte do bairro, iniciou- se em meados de 1979, no governo de Paulo Salim Maluf. O aparecimento da favela se deu pela remoção das famílias do local onde seria edificado o fórum da Barra Funda e alocação dessas mesmas famílias onde se encontra hoje a favela, local antes destinado à construção de um centro cultural. A proposta da alocação era provisória, porém a moradias passaram de improvisadas para fixas.
Favela do Flamingo está instalada na cabeceira do Córrego do Guaraú, a 100 metros da boca adutora da Sabesp, com a locação dos imigrantes vindos de outros estados, nordeste e centro oeste que por falta de opção e verba, construíram suas casas próximos do córrego criando assim a favela que margeia o Guaraú.
Favela do Peri Velho situa-se no meio do bairro entre as duas outras favelas, a do Flamingo e a da Sucupira.
4.3 Dados Físicos
As informações a seguir trarão dados físicos do terreno e entorno como: topografia, clima, intempéries e demais informações geográficas como também suas interferências no âmbito urbano e ambiental que influenciará a escolha de materiais, espécies vegetais e demais propostas para o parque.
Fig.43-Bairro do Jardim Peri
Fonte: Programa Google Earth digitalizada e editada em 15/08/2008
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Fig.44
Foto aérea do bairro
Fonte: Google Earth digitalizada em 30/10/2008
4.3.1 Topografia e Malha Urbana
O bairro do Jardim Peri se encontra no fundo de um vale e tem sua topografia com declividade média de 5% a 60%, criando grandes desníveis geográficos e dificuldade para projetos arquitetônicos de grandes escalas. A maior parte do bairro é coberta por
edificações irregulares De forma geral o bairro é ocupado por residências e poucos comércios que ficam centralizados na Avenida Peri Rochetti próximo à Praça Dom Helvécio Gomes Pimenta, no trecho mais plano da avenida. Conforme as ruas aumentam sua inclinação, o comércio tende a diminuir até extinguir.
O terreno escolhido para o projeto inicia na cota 750 e termina na cota 775. A
maior declividade se encontra próxima à estrada Santa Inês. Com maior percentual chegando a 60%.
Fig.45
Mapa de Declividade As cores alaranjadas mostram as áreas com maior
Declividade
Fonte: http://atlasambiental.
prefeitura.sp.gov.br/index.php