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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Por que as calçadas são estreitas em São Paulo?

Atualmente, na região da zona norte, assim como em muitos outros bairros da cidade, já tornou-se comum depararmos com a falta de ética e o desrespeito contra pedestres, ciclistas e principalmente para os cadeirantes em relação ás calçadas e passeios públicos. O fato é que a preocupação e a atuação da prefeitura diante de tal problema são relativamente quase inócuas para uma solução definitiva, principalmente na periferia, como é o caso do bairro da Pedra Branca, Jd Pery, Cachoeirinha, Continental e outros da zona norte....

Conversando com moradores e populares, notamos que há uma grande insatisfação entre os moradores destas localidades. ‘’A verdade é que, poucas pessoas se preocupam pelo direito do cidadão, a grande maioria quase nunca reclama do mau atendimento das subprefeituras, tenha sofrido ou sofra com as calçadas esburacadas, ou da ausência delas. O Sr. Carlos Cris Codoletti. Também o morador Bernardo Dias da Silva- do Jd Pery, reclama por melhores serviços da prefeitura para a recuperação de vias, sarjetas e das calçadas nos bairros do centro da cidade, segundo ele os bairros considerados de classe mediam,tem atendimento diferente do que é cedido á bairros mais afastados, os da periferia. ‘’Se a regra vale para um, vale para todo mundo. Então, entendo que a Prefeitura tem que reconstruir todas as calçadas na cidade. ”Enfatiza Domingos Sales
Caminhando por ruas e avenidas dos bairros citados, não foi nada difícil presenciar os problemas aqui levantados. ’São poucas as calçadas com largura certa, ou que atendam as normas estabelecidas pelo Plano Diretor Regional. Invariavelmente, a largura delas é sacrificada em favor da largura das ruas e facilitar para o trafego dos veículos. quase nunca pensando nos pedestres. Em parte, as calçadas são tradicionalmente consideradas um espaço destinado ao trânsito de pedestres, porém com o crescimento desordenado a ética parece ter sido deixada de lado nesta questão ( as calçadas) e desprezadas na condição de únicos elementos vitais e imprescindíveis da segurança, da vida pública e da circulação de pessoas nas cidades.
Caminhar por uma área livre de obstáculos de forma segura e confortável, admirando os canteiros floridos. Isso não é possível em nosso bairro – Acho que nós cidadãos devemos começar a se mexer, e começar a cuidar da própria calçada - quem sabe os vizinhos acabem aderindo. Sugere Maria Luisa Scioli. Calçadas livres, e com largura apropriada são raríssimas na cidade, e se não as encontramos nos centros urbanos, imaginem então nos bairros da periferia... como mostram as fotos abaixo.No bairro do Horto Florestal, na Av. Santa Ignêz, um fragrante de descompromisso da prefeitura são as calçadas em total precariedade, ou esburacadas ou com espaço tão reduzido que mal uma pessoa consiga passar em alguns pontos. Aqui o cotidiano de pedestres, cadeirantes, crianças e idosos que ousam trafegar a pé por esta via é correr risco de vida, em vista do grande tráfego de automóveis que passam por esta via. Talvez quem só circule pela cidade de carro não perceba, mas as calçadas paulistanas são estreitas demais para a quantidade de pessoas que as utilizam e estão longe de cumprir o papel de "elementos vitais" para a vida pública. Ou melhor, representam o exato oposto: a falta de ética, e o estrangulamento da sociedade e a morte de seu habitat.
Da mesma forma que para o transito o problema esta sempre em primeiro plano das soluções dos planos diretores das cidades, para as calçadas deviam-se também ser adotados Oe mesmos, para que no mínimo seja re-visionadas, dando melhores condições aos pedestres e para que a população possa trafegar a pé e com garantia.. Entretanto, a visão turva dos gestores públicos sobre essas questões ainda esta longe de uma mudança real e a implantação do que é melhor para todos e imparcialmente, pois assim como ainda não permeiam a boa fé e preocupação nas mentes de boa parte dos planejadores, técnicos, legisladores e a administradores da cidade, também a população pouco questiona sobre a falha.A opção por uma cidade destinada às pessoas (e não para máquinas) não será feita na base de emendas políticas, remendos ou remédio caseiro. Mas sim a população deve também fazer a sua parte, zelando pelas suas calçadas, e cobrando dos setores responsáveis pela construção das que ainda não foram feitas por omissão dos órgãos públicos envolvidos.
Urbanistas afirmam que as três irregularidades mais graves e comuns nas ruas de São Paulo são as garagens que invadem o passeio público, o excesso de guias rebaixadas (na maioria das vezes ilegais) e a falta de rampas de acesso para deficientes físicos e carrinhos. Em nota da Emurb. É proibido inventar estilos e dimensões estapafúrdios para as calçadas. Elas devem seguir um entre quatro padrões de piso (blocos de concreto intertravado, placas pré-moldadas de concreto, ladrilho hidráulico ou cimentado) e ter largura mínima de 1,90 metro - o suficiente para que dois adultos caminhem lado a lado e ainda haja espaço para postes, lixeiras e canteiros.
Segundo a legislação, os proprietários são os responsáveis por seu pedaço de guia, e a multa para quem não cuida da área é de cerca de 200 reais por metro irregular. É bom ficar atento, pois a fiscalização está ativa. "Se 10% das calçadas forem consertadas, justamente aquelas nas avenidas onde há maior concentração de serviços, 90% do problema de locomoção será resolvido", afirma Mara, ex-secretária da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, departamento da prefeitura em que o cadeirante Coelho trabalha. Essa é a chance de a cidade ter calçadas decentes. PASSAGEM OBSTRUÍDAOs números mostram como é difícil a vida do pedestreHá 30.000 quilômetros de calçadas em São Paulo e somente 200 quilômetros foram reformados desde 2005.

Menos de 10% dos quarteirões são uniformes no tipo de piso, nas dimensões e inclinações. Mais da metade dos restaurantes e lojas tem guias rebaixadas ou garagens irregulares, que atrapalham a passagem dos pedestres. 100.000 pessoas caem e se machucam nas calçadas da cidade por ano. Os idosos são os mais prejudicados. De cada cinco envolvidos em acidentes de trânsito, um é pedestre.

texto e fotos: Robinson Dias
Fontes: Emurb, Ipea, Denatran e Associação Brasileira de Pedestres

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