Aconteceu no Horto Florestal
ERA APENAS UM BIGUÁ.....
Era dia 16 de maio 2007, ás 11:30min quando uma freqüentadora do parque ‘’Alberto Lofgreen’’ anunciou á um vigia, sobre o acidente que tinha acontecido. Um grande pássaro preto estava dependurado no alto da copa de um pinheiro numa das ilhas centrais do lago maior. _ Eu estava sentada de frente ao lago olhando para a paisagem, quando vi o pássaro pegar um peixe e voar para o galho da árvore, havia uma linha de anzol na boca do peixe, ao engolir o peixe com linha e tudo, a ave enroscou-se aos galhos e o animal ficou preso de cabeça para baixo, chamei o vigia que logo informou a diretoria do parque’’ Informou a Sra. Sueli Meireles da Silva.
O Biguá é uma ave aquática, porte médio de até de 40 cm e plumagem escura, ocorre em áreas alagadas de todo o Brasil e de outros países da América do Sul, tem por característica alimentar-se de peixes frescos, alimento abundante nos lagos do parque.
Ao saber do fato, a diretoria do parque por sua vez solicitou apoio de uma equipe do corpo de bombeiros da região, que prontamente chegou ao local, mas esta alegou ser difícil o acesso, por ser na ilha e a árvore de galhos podres. Sugeriram que chamasse outra equipe com equipamentos para esse tipo de salvamento, ou a vinda de uma unidade do ‘’Águia’’ deveria ser acionada. Sem salvamento o ''Bigua continuou enroscado no pinheiro.
Visitantes indganados, que já haviam presenciado a ave pendurada no dia anterior informaram:No momento que a ave se debatia, visitantes do parque que já se aglomeravam assistindo a triste cena chegaram a discutir com os bombeiros, por não salvarem o Biguá. O animal continuou no alto da copa agonizando.

No dia seguinte ( 17 de maio) a quase 30 horas depois, a ave ainda se debatia incansável pela sobrevivência, alguns funcionários do Instituto Florestal, órgão responsável pelo zelo e manutenção do parque, indignados, compareceram ao local cobrando da direção do parque o pedido de outra chamada dos bombeiros para que fizessem outra tentaiva de salvamaneto.
Nesse momento um grande tumúltuo foi se formando em torno da ilha, inclusive, a monitora Jéssica, estagiária do curso de biologia no Museu Florestal, indignada, questionou da desistência de salvar o Biguá por parte dos bombeiros no dia anterior. _Alguma coisa deve ser feita gente, o animal não pode morrer ali assim sem ninguém fazer nada, nós estamos dentro de uma unidade de conservação e os bombeiros tem o dever de ao menos tentar salva-lo. Reclama Jessica
Em meio a confusão e discussão, acenos e reclamações do aglomero que ja se formara, o Biguá, cansado, lutava na tentativa de soltar-se a todo custo do galho que o prendia. Pensando bem, a ave estava a mais de um dia inteiro sem beber água, de cabeça para baixo, uma cena deprimente e desoladora de ser vista. As crianças, comovidas olhavam atentas e aflitas o sofrimento da ave se debatendo ...
Mas nem tudo estava perdido...
De repente, no meio da multidão chegou Ruan, moço, de bermuda e mochila nas costas. Ruam indgnou-se, ele comentou já ter visto o pássaro ali preso no dia anterior. Também indignado dizia não acreditar que nada ainda tinha sido feito pela vida do animal. Incisivo, apesar do perigo disse que se arrumassem uma corda seria capaz de subir e salvar o Biguá. Os guaradas presentes na ocasião avisaram que era proibido a entrada de pessoas no lago e de subir nas árvores do parque sem autorização da direção do parque.
Inútil foram as tentativas em desencorajá-lo, e mesmo devido o perigo Ruam não deu ouvidos ao negativismo nem a proibição, nem mesmo a ordem dos vgias respeitou, pulou nas águas do lago em seguiu rumo a ilha. Já no pé do imenso pinheiro, de grosso tronco, sem equipamentos pelejou a tentar subir na grande árvore. Um outro monitor presente
( Paulo) atravessou até a ilha para auxiliar Ruan, que passou rapidamente para os galhos de cima antes que outros vigias chegassem e o retirassem da ilha. Em grande ato de coragem aos poucos atingiu a copa do pinheiro, a mais de 35 metros de altura. Lá embaixo na beirada do lago as pessoas assistiam tudo silenciosamente, e muitos temiam pela queda do bravo rapaz que aos poucos ia partindo galhos podres enquanto subia. Nesse mesmo momento ouvi uma senhora que rezou baixinho do meu lado. '' Ó meu Jesus Cristo, proteja esse pobre moço''. Tive vontade de chorar.
Mesmo com dificuldades, Ruam já próximo do Biguá, sem nada nas mãos quebrou o galho que prendia o animal que se debatia incasável. O momento era de grande expectativa da platéia que torcia pelos dois, o Bigua e o herói, os movimentos de Ruam causavam uma grande euforia em todos que lá embaixo torciam ansiosamente pelo livramento da ave. Ruan não alcançava o pássaro que ainda continuava enroscado e se debatendo, precisava de algo que pudesse usar para trazer a ave para perto de si. Paulo o estagiário do parque cedeu lhe uma vara de bambu que foi trazida por um outro visitante, já em mãos Ruam acabou empurrando o galho com o animal que caiu nas águas do lago, a linha se rompeu deixando livre aquela ave que bradamente lutara durante mais de 30 horas com sofreguidão pela vida. A emoção dominou todos os presentes, uma ação digna de um herói.
O monitor que ficara na ilha ao pé da árvore á sua espera tentou pega-lo evitando que se afogasse, mas o Biguá mergulhou a cabeça no lago, bebeu dois grandes goles de água e nadou até a ilha menor misturando-se ás outras aves da sua mesma espécie que logo o acolheram .....

Os aplausos cortaram o silêncio do parque deixando todos os emocionados. _Um bom exemplo desse, não me esqueço nunca mais, e fico feliz de ter presenciado de perto este ato tão humilde, parabéns Ruam. Falou alto o Sr Odair funiconárop do museu, que acompanhou atentamente tudo de perto. Todos os vistantes que assistiram tudo fizeram questão de cumprimentar e abraçar o rapaz. Em meio aos muitos elogios, abraços e cumpimentos um som alto de sirene a anunciaram a chegada do carro do corpo de bombeiros que entrava pelo parque. Mas agora já era tarde. Ruam o herói já havia feito o serviço e tão logo o carro de bombeiros e as motos da guarda do parque e da diretora do mesmo, Ruam desapareceu na multidão que ainda observava o pássaro se refugiado na ilha junto aos seus semelhentes, que pareciam também felizes com seu livramaneto.
Desta vez os bombeiros chegaram tarde, porém o que importa é que o Biguá foi salvo, e com tamanha fineza, coragem e firmeza. Ruam merece os nossos votos de ‘’PESSOA GRATA.
VALEU RUAM